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Da relação repórter-editor: a volta do copy desk na internet

Tanto se falou da reintegração de posse da reitoria da USP (Universidade de São Paulo). Da falta de compreensão dos jornalistas, da truculência da PM, da animosidade dos estudantes manifestantes, da relação da imprensa com a questão e, até, do outfit dos rebeldes com seus rostos cobertos e roupas de grife. Mas uma outra questão, talvez menor, chamou minha atenção. Não sei como fizeram em outras redações, mas na minha -- de internet -- foram necessárias duas criaturas para a transmissão das notícias em quase tempo real. Lembrei dos antigos tempos em que o repórter ia para a rua (olhar para relatar) e um redator (cujo texto era melhor) traduzia os fatos para o leitor.  Pensei que parte do equilíbrio que alcançamos se deveu ao fato de quem estava olhando estar livre de ter que contar. E de que quem estava contando podia ter um distanciamento crítico dos acontecimentos. A pensar se -- em tempos do acontecendo, isso mesmo: no gerúndio -- não seria interessante voltarmos a praticar a ...

Deus, dai-me

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"Será que temos esse tempo Para perder?" #papel

Máquina de moer

Hoje, o rádio (um profeta da modernidade antiga, como é a minha) me deu The Wall de presente. Contei à mais velha que essa música talvez tenha sido um dos primeiros lampejos de crítica para a menina de 15 anos, besta, provinciana e matuta que eu era -- e, de certa forma, ainda sou. Por ironia, a escola -- essa mesma, aparelho ideológico do Estado -- foi justamente o palco do nascimento de uma visão mais crítica do mundo. Em plena pós-modernidade no início dos anos 1990 (no interior, as coisas demoram mais a chegar), a turma do 1º ano mastigou e deglutiu o conceito da máquina de moer. E futilizamos a expressão "virar carne moída". Sempre fui cumpridora de regras, amante das caixas, seguidora de verdades alheias. E, com isso, fui cuspida de uma das máquinas de moer como esperavam que eu saísse. Da cidade do interior para a USP (Universidade de São Paulo) onde minha mãe talvez esperasse que eu arrumasse um bom casamento ou um bom emprego. Acho que, na visão dela, falhei nas...

Sem título

Sempre começo os posts com os títulos. Em geral, eles são uma síntese do que nem sei que vou dizer. No caso, escrever. Acabo de ouvir o chorinho lamentoso do bebê que se mudou para o apartamento ao lado. Lembro da Carol. Pequenina, chorona, indefesa. Nos meus braços. Uma menina criando outra. Apesar dos meus 20 e poucos anos, eu não era muito diferente da menina de 17 que tinha ido embora da cidade do interior, fugida da futilidade, do provincianismo e do sufoco de ser daquela família. Eu lia um texto, do José Ruy Gandra, sobre a sua primeira separação ( Um Duro Adeus, na Pais e Filhos ). Sobre como ele, jovem, fhavia negligenciado o filho, em meio à sua própria imaturidade. De certa forma, identifiquei-me com ele. De outra forma, chorei a lágrima da moça ruiva. Penso no cansaço. Na espiral maluca e, por que não dizer, autodestrutiva em que me enfiei. Lógico que não foi nada pensado. Mas a sensação que tenho, agora, é de que se eu corri até aqui foi para fugir. Me parece claro ne...

Eugenio e o tempo

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Nesse medo do mergulho para que me preparo, começo o post com: "OMG, o tempo não existe mais!". E você pode me responder: "é mesmo, ninguém tem mais tempo para nada". Conversa rasa, com com uma expressão adolescente para provar que o tempo não chegou pra mim -- ou que, se chegou, eu o acompanhei até aqui, que não fiquei para trás. De certa forma, isso tudo se relaciona com o que estou tentando escrever - querendo um registro, um fórum, uma instância (we <3 eugenio) para transbordar os pensamentos (muitos sem o menor nexo) que me invadem e me dominam. Voltemos. O tempo -- essa construção -- acabou. A história, apesar de Fukuyama e da Era Bush, parece que não. Vamos combinar que ninguém vai para uma aula, na quinta de noite, depois de um dia puxado de trabalho e pensa que vai "descobrir" algo que ai calar tão fundo no coração. Veja bem, estou falando dos meus sentimentos, não da minha concepção de mundo. Acho que vou guardar essa frase, para analisar ...

Julgamento televisionado -- mãe "abandona" crianças e Conselho Tutelar a "defende"

Na semana passada, um telefonema de um menino de 11 ou 12 anos para a polícia ganhou minutos na TV, páginas de jornal e links na internet. A gravação da conversa entre o pré-adolescente e um atendente virou "notícia". O garoto é articulado. Fala em "ela me bate", diz que a mãe provoca "lesões" nele. A PM foi até a casa, liberou as crianças e as levou para a delegacia, até o pai aparecer, dizer que "não sabia de nada". Um juiz mandou as crianças para um abrigo. Neste link , você pode ouvir também o áudio. Não era preciso acusar -- estava tudo subentendido. Depois disso, conselheiros tutelares defenderam a mãe e disseram que a ligação poderia ter sido incentivada por vizinhos , que não se davam bem com a mãe das crianças. E a "culpa" recaiu sobre o juiz, que afastou as crianças da família. Não dá para dizer que há alguém "certo" ou "errado". É lógico que ninguém quer que um menino de 11 ou 12 anos seja "r...

A little pray for me

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Que eu seja brava o bastante para deixar ir o que não é mais para mim Que eu seja boa o suficiente para aceitar o que a vida me trouxer de bom Que eu seja esperta o suficiente para compreender uma e outra situação *** É mais um amor que se vai? É mais uma fantasia xexelenta que se instala? Será que, de novo, eu estou desviando energia para o lado errado? Por que quando parece que encontramos as respostas, as perguntas mudam? *** Night, night